Pinhão Cozido na Pressão
O sabor da fogueira de São João e do inverno gaúcho, no ponto macio que solta da casca.
Quentinho, com cheiro de fogueira
O pinhão cozido na pressão é daquelas receitas que não precisam de truque nenhum para serem inesquecíveis — basta o tempo certo e um bom punhado de sal grosso. Aqui no Rio Grande do Sul, quando o frio chega e junho aponta, o cheiro do pinhão fervendo na panela é praticamente o aviso de que a temporada de fogueira, quentão e história ao redor do fogo começou.
A semente da araucária, nosso pinheiro-brasileiro, tem casca dura e miolo amarelinho de sabor adocicado, entre a castanha e a batata. O segredo de um pinhão perfeito está em cozinhar até soltar da casca sem virar papa: firme, macio e fácil de descascar com os dedos ainda mornos. A panela de pressão resolve isso em uma fração do tempo da panela comum.
É petisco de roda de conversa, entrada de almoço de domingo e estrela absoluta de qualquer festa junina sulista. Sirva numa cuia ou tigela no centro da mesa e deixe que cada um descasque o seu — porque metade da graça do pinhão é justamente essa, comer com as mãos, sem pressa, junto de quem se gosta.
Da araucária para a mesa
O pinhão é a semente da Araucaria angustifolia, árvore símbolo do planalto sul-brasileiro e alimento sagrado para os povos indígenas Kaingang e Xokleng muito antes da colonização. As famílias se reuniam na época da queda dos pinhões — a “safra” entre abril e julho — para colher e cozinhar juntas.
Não é coincidência que ele tenha virado símbolo das festas juninas do Sul: a colheita coincide com o inverno e com São João. Hoje, comer pinhão à beira da fogueira é manter viva uma tradição que atravessa séculos e une indígenas, imigrantes e gaúchos numa mesma cuia fumegante.
Ingredientes
Para o cozimento
Modo de preparo
Lave e selecione
Lave bem os pinhões em água corrente para tirar a terra. Coloque-os numa bacia com água: descarte os que flutuarem e fique só com os que afundam.
Monte a panela
Transfira os pinhões para a panela de pressão. Cubra com água até passar uns dois dedos acima deles e acrescente o sal grosso (e o louro, se quiser aroma extra).
Não encha a panela acima de 2/3 da capacidade — o pinhão libera espuma e precisa de espaço para a pressão circular com segurança.Cozinhe sob pressão
Tampe e leve ao fogo alto. Quando começar a chiar, abaixe para fogo médio e conte o tempo. Pinhões médios ficam prontos em cerca de 35 minutos; os bem graúdos podem pedir 45.
⏱️ 35 a 45 min após pegar pressãoDeixe a pressão sair sozinha
Desligue o fogo e espere a pressão escapar naturalmente. Não force a válvula nem leve a panela à torneira — deixe o vapor baixar no tempo dele.
⏱️ ~10 min de descansoTeste o ponto
Abra a panela e pegue um pinhão. Aperte: a casca deve abrir com facilidade e o miolo soltar inteiro, macio mas firme. Se ainda estiver duro, tampe e cozinhe mais 5 a 10 minutos.
O ponto ideal é “al dente”: cozido por dentro, sem desmanchar. Pinhão cozido demais fica seco e farinhento.Sirva quente
Deixe os pinhões na própria água quente até a hora de comer. Escorra só uma porção de cada vez e leve à mesa numa cuia ou tigela. Descasque com os dedos ou faça um corte raso na casca com a faca.
3 segredos do pinhão perfeito
Sal generoso na água
O pinhão tem casca grossa e absorve pouco tempero. Sem sal de sobra na água, o miolo fica sem graça. Capriche: a água precisa ficar bem salgada, como a do mar.
Tempo conforme o tamanho
O maior erro é cronometrar igual para todos. Separe os graúdos dos miúdos ou cozinhe os grandes por mais tempo — senão uns ficam crus e outros viram pasta.
Não escorra antes da hora
Pinhão fora da água esfria rápido e a casca gruda no miolo. Mantenha-os submersos na água quente e descasque morno: solta como manteiga.
4 jeitos de aproveitar
Pinhão sapecado
Depois de cozido, leve os pinhões ao forno quente ou à brasa por alguns minutos. A casca tosta, racha sozinha e ganha aquele gostinho defumado de fogueira.
Refogado com linguiça
Descasque os pinhões cozidos e refogue na banha ou no óleo com linguiça calabresa e cebola. Vira um prato completo e reconfortante de inverno.
Paçoca de pinhão
Soque o pinhão cozido no pilão com carne-seca desfiada e farinha de mandioca. É o aproveitamento mais gaúcho que existe — petisco de boteco caseiro.
Entrevero
Junte o pinhão a uma mistura de carnes, linguiça e legumes salteados. O miolo amanteigado dá corpo e doçura ao prato típico das cozinhas serranas.

